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sábado, 29 de março de 2014

Workshow - Russell Allen e Thiago Bianchi

Dia 28 de março estive em um Workshow com uma da maiores vozes do metal mundial, Russell Allen ( Symphony X e Adrenaline Mob), e convidado especial Thiago Bianchi (Noturnall e Shaman), em Guarapuava-Pr, organizado por Leandro Kuster.

Eu, que fui ao show com a voz suave que Thiago usa no Shaman na memória, fui esplendidamente surpreendida. Ao falar Thiago tem a voz suave, doce e aguda, mas nas músicas, ainda fresquinhas, do Noturnall surgiram drives, guturais, impostações, graves curiosamente profundos e agudos extremamente longos, um verdadeiro malabarismo vocal executado com perfeição em cada canção. Para mim foi ainda mais agradável poder observar em sua execução todas as coisas que insisto que meus alunos pratiquem: abertura da boca, maxilar, posição da língua, postura, sim eu observei todos os pequenos detalhes já que tive o privilégio de estar bem pertinho. Perto o bastante para ver Thiago olhar nos olhos de cada um na primeira fila da platéia durante a interpretação. Mas depois da terceira música ele acabou desabafando "essas músicas são muito difíceis, não sei porque eu faço essas coisas comigo."

Perguntado sobre sua técnica explicou que desenvolveu as habilidades imitando sons de todo tipo. Se algum vizinho seu começar a gritar algo como uma galinha operística ele não enlouqueceu, apenas foi ao workshop do Thiago Bianchi. A propósito tanto ele quanto Russell Allen pareciam ter decidido desbancar minha profissão, mais a frete quando perguntei a Russel se ele tinha alguma rotina de exercícios ele fez uma sessão de flexões no palco. Mas depois ambos salientaram a importância dos exercícios vocais para adquirir o controle sobre o som produzido sem desenvolver problemas vocais. Thiago teve acompanhamento de quatro profissionais importantes e Russell sempre esteve envolvido com músicos de qualidade.

Russell Allen falou de sua carreira, brincou com a platéia, fez piadas com Thiago, e deliciou a todos com um apanhado de todos os seus trabalhos diferentes. Eu já era fã de Russell pela qualidade de seu vocal e das músicas mesmo, mas pude admirar ainda mais o profissional pela maneira como ele se portava. Apesar de terem demorado bem mais que o esperado para fazer o percurso entre Foz do Iguaçu e Guarapuava por conta de problemas na estrada e chegarem em cima da hora para o evento Russell parecia estar em casa. Com muito bom humor atendeu com atenção a todos que se dirigiam a ele, foi amável comigo e com todos os fãs que vi, e interagiu com platéia de forma particular. Certamente subiu mais alguns pontos no conceito de vários ali ao explicar as circunstancias da composição de All on the line, homenagem a sua filha, cantada a cappella para um fã. Demonstrou ainda seu cuidado em estudar a história da música e ir as raízes, o que com certeza contribuiu muito para tamanha versatilidade.

Apesar das grandes diferenças culturais e da habilidade natural de Russell, acredito que ele conseguiu inspirar o público de várias maneiras, pelo incentivo a estar sempre em sua melhor forma, a abraçar as pessoas que estão trabalhando com você por amor ao trabalho ou mesmo ao ressaltar a dedicação necessária para transformar-se em um músico de qualidade. Tanto Russell quanto Thiago trouxeram um volume enorme de informação em suas performances, fala e comportamento. Essa coerência entre os elementos me parece fundamental em um cantor e esses dois entraram definitivamente para minha lista de bons exemplos.


Thiago Bianchi, Daniele Krauz, Russell Allen e Marcelo Moreira


 Foto por: Felipe Bahls

quarta-feira, 5 de março de 2014

Dia internacional da mulher 1

Em comemoração ao dia internacional da mulher resolvi postar algumas vozes femininas que marcaram por vários motivos.
Vou partir do meu gosto musical também para oferecer uma visão variada de estilos de interpretação e timbres. Independente do seu estilo preferido é importante conhecer várias formas de cantar para poder explorar melhor a sua própria voz e não ficar apenas imitando alguém. As mulheres que pretendo citar marcaram exatamente por ter uma voz única e acabaram sendo imitadas por muita gente. Ultimamente a arte tem se resumido muito a imitar algum cantor da moda, então vamos explorar um pouquinho vozes de outras épocas e estilos para vermos o que conseguimos criar.

A ordem dos links apresenta uma lista de músicas com letras, porque é bom entender o que está sendo cantado, uma biografia básica, porque conhecer a história do artista muitas vezes faz diferença na nossa apreciação do seu trabalho, e uma playlist, para quem quer só curtir mesmo.

A primeira que me vem a memória é Billie Holiday. Sua vida e carreira não foram das fáceis.
http://letras.mus.br/billie-holiday/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Billie_holiday
https://www.youtube.com/watch?v=9LOB_I7sgoI&list=AL94UKMTqg-9A_lZmS0-AFUMF6QSkGHcKL

Outra cantora que me agrada muito pela força da interpretação é Janis Joplin, esta foi controversa.
http://letras.mus.br/janis-joplin/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Janis_Joplin
https://www.youtube.com/watch?v=cM0T9fumD5k&list=PL8E0179C67277B7EF

A voz de Ann Wilson também é muito marcante no rock.
http://letras.mus.br/hearts/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Heart
https://www.youtube.com/watch?v=1Cw1ng75KP0&list=AL94UKMTqg-9DDelARMr3bT-iCIVIfztnu

Tarja Turunen foi um grande impulso na minha interpretação. Ela foi a primeira a cantar rock com interpretação erudita, amei isso porque até então eu não sabia como cantar o meu estilo preferido.
http://letras.mus.br/tarja-turunen/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tarja_Turunen
https://www.youtube.com/watch?v=s5SsdrPbHHk&list=AL94UKMTqg-9BlcNaxixrtw681nBdNkYMb

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Vozes de Tyler e Cobain

Perguntas via Ask.fm
http://ask.fm/DanieleKrauz

O que é preciso para cantar no mesmo ''estilo'' que o Kurt cobain? não igual, mas como se fosse inspirado pelo vocal dele ou algo do tipo...eu n entendo muito bem disso então n sei explicar direito kk
Viver muito loco! ... nem tanto :D . Acho que tem mais a ver com identidade mesmo. Ele simplesmente cantava daquele jeito. Eu gosto de ver os cantores falando, assim dá pra observar o que ele faz com a voz na hora de cantar. No caso do Kurt, assim como o Tyler na outra pergunta, a voz de fala dele já era aquilo. Outra coisa, ele não desafinava tanto como tenho ouvido os 'seguidores' dele fazerem, observem bem as gravações, ele desafina aqui e ali meio como um charme mesmo, é parte da interpretação. Nem quando o cara dava aqueles gritos bem rasgados não está desafinado. Tenho tido vários alunos que querem cantar um determinado estilo que gostam de ouvir, mas eles não tem espírito necessário pra conseguir convencer. As vezes a técnica não resolve, eu por exemplo, adoro Engenheiros, mas nem me meto por que fica ruim na minha voz. E quando canto hard é do meu jeito, usando as técnicas de erudito.
O mais certo seria você me mandar um vídeo cantando qualquer coisa e eu te digo se rola, pode ser?

O que você sugere a todos experimentarem?
É uma pergunta meio tendenciosa... mas falando sério: faça Arte, mas não como hobby. Ao menos por uns 6 meses procure um professor ou grupo profissional de qualquer tipo de Arte (claro que eu digo que a Música seria a escolha mais emocionante :) ) e se jogue de cabeça, exercite pra valer, aprenda de verdade alguma coisinha, se sinta um artista por ao menos uma apresentação. Tenho certeza que muita coisa na sua visão de mundo e na sua vida mesmo vai mudar. Depois me conta ;)

O que acha do vocal do vocalista do Aerosmith Steven Tyler??http://letras.mus.br/aerosmith/109/traducao.html#legenda
Ótima pergunta. Amo Aerosmith. O Tyler tem uma voz horrível rs parece um pato, mas funciona maravilhosamente com a banda, com o estilo, com as músicas que eles fazem. Nem adianta querer cantar as músicas deles, sempre vai ficar 'meia boca', Steven Tyler é o Aerosmith. Ele é afinadíssimo e entende muito de música, ele construiu um estilo próprio, tem uma interpretação marcante, presença de palco inquestionável. Da mesma forma que não adianta ninguém querer cantar o que ele grava, ele cantando músicas de outros interpretes provavelmente ficaria horrível. E querer imitar o estilo dele acho também bastante difícil, a voz dele falando já é esquisita, ele apenas aprendeu a usar muito bem.

sábado, 10 de agosto de 2013

Perguntas via Ask.fm - recomendações

Perguntas feitas via Ask.fm
http://ask.fm/DanieleKrauz


Qual ou quais cantores vc recomenda para ajudar na influência vocal masculina média?

Depende do seu gosto e do seu timbre, mas posso citar os mestres no rock: Coverdale, Gilmoure, Mercury, Jorn Lande, que são meus preferidos, mas a lista de hard rock e metal melódico e vertentes é bem extensa, é mais fácil dizer quem não canta tão bem. Brasileiro de destaque: Renato Russo, porque conseguia vários efeitos passando de um para outro com precisão e afinação perfeita. Na MPB e afins, Lenine, família Caimmy, os Venturini, Milton Nascimento. No samba os antigos, bem antigos, Cartola, Pixinguinha, e companhia. Sertanejos, Renato Teixira, Rolando Boldrin, Almir Sater e acho que só ... Regionalistas (sul) conheço pouco mas tudo que ouvi era muito bom. Gospel brasileiro ninguém... Acho que aí já dá uma linha de pesquisa, ficando ao redor desses nomes não tem erro.

o que acha mais difícil na música em aprender. Técnica vocal ou instrumento?.. Guitarra por exemplo

Ola, cada coisa tem sua dificuldade dependendo também das habilidades próprias da pessoa, pra mim tocar é complicado porque não tenho paciência pra fazer exercícios repetitivos, quando começo a errar de mais me irrito e abandono. Mas gosto de teoria, apesar de parecer muito chato pra outras pessoas. Já no vocal passo horas repetindo a mesma nota até sair como quero.
O que você precisa é descobrir qual é a sua área da música, porque você vai ter que passar muito tempo fazendo exercícios repetitivos e não tem outro jeito. Se você não for apaixonado pelo que está fazendo não vai conseguir se dedicar o bastante.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A voz e o cantor

Origem: Wikipédia


A música, desde o início de sua história, foi considerada uma prática cultural e humana. Provavelmente, fruto da observação dos sons da natureza, despertou no homem, através do sentido auditivo, a necessidade e vontade de fazê-la. Defini-la não é tarefa fácil porque apesar de ser intuitivamente conhecida por qualquer pessoa, é difícil encontrar um conceito que abarque todos os significados dessa prática. Mais do que qualquer outra manifestação humana, a música contém e manipula o tempo e o som. Talvez por essa razão ela esteja sempre fugindo a qualquer definição, pois ao buscá-la, ela já se modificou, já evoluiu. E esse jogo do tempo é simultaneamente físico e emocional. Uma das maiores dificuldades em definir música tem sido o emprego dessa palavra na descrição de todas as atividades e elementos relacionadas aos sons organizados. Conceitos pré-definidos aplicam-se a práticas exploradas, esquadrinhadas, completamente conhecidas, o que não ocorre na música, que é infinita.
Na música, um cantor, vocal ou vocalista é um tipo de músico que canta, ou seja, usa a voz como instrumento musical para fazer música. Um cantor principal é aquele que canta as vozes primárias de uma música, ao contrário do cantor de apoio que canta vozes de apoio para uma música ou harmonia para o cantor principal.
Na música clássica e na ópera, as vozes são tratadas tal como instrumentos musicais.
As vozes são comumente classificados por gênero e extensão vocal, como se segue:
 Profissionais e sua voz 

Quando um cantor, no decorrer de seu trabalho vocal percebe que há "alguma coisa errada" com a emissão de seu som, questiona-se sobre o que estaria acontecendo com sua "garganta" e o que poderia estar prejudicando seu instrumento de trabalho.
O primeiro passo a ser feito é a consulta médico-clínica, para posterior encaminhamento ao médico-fonoaudiólogo.
Do ponto de vista funcional, cantar é essencialmente diferente do falar. As evidências indicam que seu controle central está em um local diverso no cérebro e os músculos do trato vocal movimentam-se de maneira distinta. Cantar também é uma forma de comunicação, e uma forma de expressão dos sentimentos. Em geral, temos um conceito pré-concebido de que através da fala nos comunicamos melhor e pelo canto nos expressamos artisticamente, como se pudéssemos separar na vida, uma metade racional para a fala e outra emocional para o canto, quando na realidade somos as duas partes concomitantes, onde podemos e devemos nos expressar e nos comunicar ao mesmo tempo.
Todos podemos cantar e o canto tem de ser trabalhado, exercitado e aprimorado. O dom de cantar existe mas, em grande parte dos casos, as condições anatômicas e fisiológicas podem ser auxiliares importantes.
Quando o cantor procura um fonoaudiólogo , este profissional submete seu paciente às seguintes etapas:
  • Avaliação vocal do cantor;
  • Anamnese - Levantamento histórico do problema:
  • Exame físico
  • Exame de imagem
  • Tratamento proposto
  • Orientação quanto a saúde vocal
AVALIAÇÃO VOCAL DO CANTOR
Existem diferenças entre a avaliação vocal de um cantor e a de um indivíduo que utilize apenas a voz falada, mesmo que de forma profissional. No primeiro momento, as características e as queixas vocais do cantor devem ser percebidas, pelo médico e pelo fonoaudiólogo, distintamente em relação aos aspectos particulares da fala e do canto.
Embora exista um único órgão e praticamente um mesmo grupo de músculos responsáveis pelas duas funções, há vários aspectos fundamentais relacionados a produção vocal que diferem muito se compararmos a voz falada com a voz cantada. Em muitos casos o cantor precisa do auxilio do terapeuta ou médico para identificar sua queixa em relação à voz, diferenciando as características da voz falada e da cantada, separadamente. É comum o indivíduo procurar um profissional queixando-se especificamente de problemas em relação à voz cantada, como por exemplo uma passagem de escala ou, ao contrario, não ter nenhuma percepção da forma como ele utiliza a voz falada.
No momento da avaliação, é necessário distinguir qual a real queixa , o motivo da consulta, e de que modo está inserida na voz falada ou cantada. Deve-se verificar ao mesmo tempo, qual a percepção que o indivíduo possui em relação a sua voz e sua queixa vocal.
Considerando-se a avaliação inicial de qualquer pessoa disfônica ou com queixas relacionadas , deve-se obter informações , antes de tratá-lo ou ser encaminhado à fonoterapia, as quais serão efetuadas na anamnese

Problemas vocais

É fundamental a analise dos fatores específicos do aparelho fonador, paralelamente às alterações gerais tais como: diabetes mellitus, hipertensão arterial, diminuição da capacidade ventilatória pulmonar, insuficiência cardíaca, distúrbios metabólicos, endocrinos, alergicos, imunologicos, auto-imunes, neurológicos, infecciosos, inflamatórios, digestivos, entre outros; neoplasias benignas ou malignas; o uso ou abuso de drogas com álcool, cafeína, tabaco, tranqüilizantes, maconha, cocaína ou outras; uso permanente ou prolongado de medicamentos como corticóides, anticoagulantes plaquetariso, quimioterápicos, etc.; estados de ansiedade, depressão, fadiga, estresse, estafa, insônia, gravidez e sindrome pré-menstrual.
O exame otorrinolaringologico inclui, igualmente, a avaliação da audição, da voz, da fala, da deglutição e as pesquisas de alterações anatômico-funcionais e preceptorias dos órgãos articulatórios e ressonâncias, como a boca e língua, fossas nasais, rinofaringe e faringe. Também a função pulmonar pode e deve ser avaliada, quando necessário.

POSTURA
Na conversa espontânea, deve-se verificar a inclinação da cabeça, a tensão muscular cervical, o posicionamento do queixo em relação ao peito, a inclinação dos ombros. Observa-se a curvatura da coluna vertebral no andar e sentar, observando se a postura assumida pelo cantor é a adequada para a fonação. É preciso observar se os aspectos que caracterizam a postura do cantor durante a fala se modifica ou se mantém durante o canto. É fácil encontrar pessoas que elevam o queixo quando cantam tons mais agudos, com o incorreto e prejudicial intuito de auxiliar a elevação da laringe, posição que, sem tensão e participação da musculatura extrínseca, ajudaria a emissão de sons agudos.

TIPOS RESPIRATÓRIOS
Há muita discussão sobre o tipo adequado de respiração para a fonação e canto, porém deve-se observar se a respiração efetuada pelo cantor é a adequada para o canto. Existem três tipos básicos de respiração que são o superior, misto e inferior. No canto encontram-se vários casos de respiração inferior e mista, ou seja, o cantor, no ato do canto recorre instintivamente a um tipo de respiração de forma que a pressão subglótica torne-se mais longa, forte e estável.

TEMPO DE EMISSÃO
A capacidade de emitir um som por longo período e de enfatizar uma nota nos momentos finais de uma sentença pode definir o repertório e longevidade da voz de um cantor. Observa-se tal fato quando existe a solicitação para a emissão de um som ou vogal prolongada ou sustentada, glissando ascendente e descendentemente e fazendo uma vogal sustentada com intensificação no terço final da emissão.

COORDENAÇÃO PNEUMOFONOARTICULATÓRIA
É a coordenação entre a respiração e a fala. Observa-se o cantor durante uma conversa espontânea, ou durante a leitura de um texto, mas pode fornecer dados irreais sobre a coordenação respiratória. É comum verificarmos pessoas com dificuldade durante a fala, porém quando lhe é solicitado uma leitura, e a pessoa percebe que está sendo avaliada, imediatamente corrige as eventuais entradas de ar residual . A coordenação analisada é um aspecto no qual, na maioria das vezes não se modifica da fala para o canto. Algumas exceções acontecem quando o estilo de música adotado exige uma voz muito soprosa, com um gasto de ar muito grande.

PITCH
É a sensação auditiva que temos sobre a altura da voz, podendo ser classificado em grave, médio ou agudo. Mede-se o pitch através de sistemas computadorizados de análise vocal. Normalmente, no canto, o pitch eleva–se, pois há uma busca das cavidades superiores de ressonância que acaba levando para a agudização do pitch, muitas vezes camuflado por uma hipernasalisação.

LOUDNESS
Tem relação com a percepção do volume da voz e deve ter com o tipo de ambiente em que a voz está sendo emitida. Pode ser classificado em forte, fraco e adequado. Na voz cantada, deve-se lembrar do ambiente e da utilização da aparelhagem de amplificação sonora. O cantor pode não possuir uma boa aparelhagem de som ou retornos eficientes, fazendo com que produza uma voz cantada com muito volume, e solicitando ao seu corpo que produza um apoio muito potente para que não ocorra sobrecarga das pregas vocais. O cantor popular normalmente não precisa utilizar um volume maior para cantar pois possui um bom sistema de amplificação. O cantor de coral emprega muitas vezes excesso de volume para poder se escutar dentro do coro. O cantor lírico procura explorar todas as suas caixas de ressonância, todo o seu potencial respiratório para atingir o quarto formante e assim ser ouvido junto com a orquestra que o acompanha. A voz transforma-se, neste momento, em mais um e único instrumento.

RESSONÂNCIA
A ressonância é classificada em seis tipos principais: equilibrada quando se utiliza de forma distribuída os três focos principais de ressonância(laringe, oral e nasal); laringo-faríngea onde há predomínio do foco na região do pescoço; hipernasal com constrição de pilares onde o foco é acentuado no nariz, mas com esforço evidente causado por tensão de musculatura orofaríngea; hiponasal onde não há nenhuma ressonância nasal; laringo-faríngea com foco nasal compensatório onde o foco central é no pescoço e sem nenhuma oralidade, normalmente em articulações muito travadas. Semelhantemente ao pitch, a ressonância também se eleva, buscando as cavidades mais superiores no canto em relação à fala.

ARTICULAÇÃO
A articulação pode ser precisa, imprecisa, travada, exagerada, pastosa ou aberta. Estas características podem se combinar aos pares mas não de maneira fixa. Pode-se por exemplo, encontrar uma articulação travada e precisa assim como uma aberta e imprecisa. Nem sempre abrir mais a boca para cantar melhora a articulação das palavras. Pode sim projetá-la muito mais.

ATAQUE VOCAL
O ataque vocal pode ser dividido em brusco, aspirado e suave, podendo ser observado na fala espontânea. Normalmente o tipo de ataque se modifica da fala para o canto. Existem pessoas que falam com ataque brusco, porém na hora de cantar optam pelo estilo bossa-nova , que trabalha com um ataque mais suave.

QUALIDADE VOCAL OU TIMBRE
É o item que esclarece o diagnóstico no nível de pregas vocais. Costuma fechar a avaliação perceptual da voz falada. No canto isso ocorre de forma diferente, pois na voz cantada avalia-se a qualidade em relação direta com o estilo de música adotado e com a forma pessoal de interpretação. Não é possível dizer que todo cantor de bossa-nova possui uma voz patológica soprosa, pois esta soprosidade faz parte de um estilo de cantar, de tornar a voz mais um instrumento dentro da música e não o principal deles. O cantor de hard rock tem a voz rouca e áspera, mas pode-se utilizar outro modo de cantar este estilo de música. A qualidade da voz cantada abre discussão para as características vocais mais freqüentes em cada estilo de música. É impossível se discutir a qualidade sem falar de estilo, ao contrário da voz falada, na qual a qualidade vocal tem relação direta com a patologia.
Há várias maneiras de se nomear as qualidades e características vocais. Utilizamo-nos da voz rouca (moderada/suave), suave, fluida, áspera, soprosa, com quebra de sonoridade, tensa, pastosa, trêmula, estrangulada, infantil e diplofônica (bitonal).
Há outros nomes diferentes dos utilizados acima, mas estes combinados entre si quando necessários são suficientes para definir precisamente uma qualidade vocal.

RITMO
É um aspecto que avaliamos apenas na voz falada, pois na cantada dependerá do estilo, melodia e harmonia da música e da maneira como o cantor interpreta a canção. Na fala usamos um ritmo lento, acelerado, muito acelerado e adequado.

TESSITURA
A tessitura e a extensão são dois aspectos a serem avaliados apenas na voz cantada. Quando o cantor disfônico tem queixa apenas na voz cantada não há necessidade de avaliação dos dois aspectos. Pesquisar a tessitura do cantor, que seriam as notas confortáveis dentro da sua extensão vocal, quando o cantor está totalmente disfônico, é algo que não tem muito sentido.
Quando o cantor apresenta a queixa de dificuldade nos agudos ou quebra de sonoridade na passagem, solicita-se que emita a escala completa para se avaliar a dificuldade, mas não há como classificar definitivamente a região onde esse cantor deve produzir sua voz cantada sem esforço ou prejuízo do trato vocal, pois a hora da avaliação é um momento atípico. Conforme o trabalho fonoterapêutico evolui deve-se rever a tessitura, assim como a extensão vocal.
A classificação vocal das vozes masculinas em tenor, barítono e baixo e das femininas em soprano, mezzo-soprano e contralto têm relação com o canto lírico, é muitas vezes empregada no canto popular, porém mais para auxiliar na definição da tessitura do que para classificar uma voz dentro de um repertório específico. Considerando-se as formas diferentes de configuração glótica do canto popular para o lírico, não acredita-se na importância dessa classificação para o canto popular.

REGISTRO
É o modo de vibração variado das pregas vocais de acordo com vários pitchs, fornecendo diferentes qualidades vocais que são chamados de registro, que nada mais é do que a produção de freqüências consecutivas que se originam da mesma maneira da freqüência fundamental. Deve ser avaliado apenas na voz cantada, pois trata-se de um conceito dividido em registro basal (fry), modal (peito e cabeça) e falsete.

BRILHO
Tem relação direta com o uso das cavidades de ressonância e a produção de formantes. Quanto mais amplo for o uso dessas cavidades maior será a riqueza de harmônicos amplificados, fazendo com que a voz pareça cheia, preenchendo todo o ambiente.
A posição da laringe no pescoço é responsável pelo colorido do som produzido. No bel canto, com a laringe baixa, temos um som mais límpido e alegre, enquanto no canto dramático, com laringe alta, o som é escuro mas cheio de nuanças.

PROJEÇÃO
Termo advindo do canto, mas muito utilizado no meio teatral e em oratória. Tem relação direta com respiração, pressão subglótica e superiormente com a boca aberta. Não é possível se ouvir um cantor com projeção com a articulação totalmente travada. Na avaliação deve-se evitar termos qualitativos (boa projeção/péssima projeção). Deve-se gravar a voz do cantor para registro, solicitando sonorizações específicas, como vogais (/a/e/i/) prolongadas, escalas ascendente e descendente em stacatto e ligatto, fala encadeada (dias da semana, meses do ano) e conversa espontânea.
Havendo gravações antigas e recentes, é interessante ouví-lo para compreender o processo de desenvolvimento da voz cantada. A avaliação in locco é fundamental para comparar dados ao vivo, e para conhecer o ambiente de trabalho do cantor.

ALTERAÇAO DE VOZ NO CANTO – DISFONIA FUNCIONAL
As alterações de voz mais comumente encontradas nos cantores são chamadas de disfonias funcionais, que podem ser causadas por uso inadequado dos músculos voluntários da fonação, que incluem os músculos da laringe, faringe, mandíbula, língua, pescoço e sistema respiratório. O desalinhamento postural também é um achado clínico freqüente. Algumas disfonias podem ser atribuídas a técnicas vocais incorretas tais como: Coordenação pneumofonoarticulatória pobre, uso excessivo ou inadequado da válvula laríngea, foco ressonantal inadequado, dificuldades no controle dinâmico de pitch e loudness.
Por definição, a disfonia funcional é a alteração vocal que decorre geralmente do mau uso ou abuso de um aparelho fonador anatômica e fisiologicamente intacto, mas que também pode ser resultado de um mecanismo compensatório mal adaptado, como conseqüência de uma condição orgânica preexistente. Mesmo nos casos de alteração vocal onde a função laríngea é normal ao exame clínico, ou quando há presença de sinais de tensão muscular laríngea anormal, a disfonia é classificada com funcional.
A disfonia funcional com abuso vocal prolongado pode levar ao desenvolvimento de alterações orgânicas secundárias, como os nódulos vocais. Apesar desses serem considerados entidades patológicas individualizadas, eles são resultado de uma disfonia funcional precedente.

CLASSIFICAÇÀO
Há várias propostas para a classificação das disfonias funcionais. Alguns autores propõem abordagens mais amplas referindo-se aos mecanismos casuais e outros baseiam-se nos aspectos clínicos-sintomáticos. É importante haver uma diferenciação entre cada subgrupo de pacientes portadores de disfonia funcional.
Podemos classificar as disfonias funcionais em quatro tipos, que são: as disfonias psicogênicas, a disfonia por habituação, o uso inapropriado de registro e as síndromes de abuso vocal.

DISFONIAS PSICOGÊNICAS
Podem ser divididas em dois subtipos: as conversivas e as recidivantes. O padrão recidivante normalmente é associado a um perfil psicopático e o conversivo, às características histéricas e o aparecimento da alteração vocal é associado a algum fator desencadeante. A qualidade vocal é caracterizada por afonia ou disfonia severa, com sonoridade pobre. A laringoscopia pode ser normal ou evidenciar fenda glótica triangular posterior(com redução da amplitude e assimetria da onda mucosa), ou ainda triangular em toda a extensão(fenda pararela). Pode ser observada a constrição supraglótica ântero-posterior parcial, projeção medial de pregas ventriculares ou inconsistência nos achados laringoscópicos.

DISFONIA POR HABITUAÇÃO
Inicia-se por uma laringite viral ou cirurgia das pregas vocais, o que propicia uma compensação inadequada do trato vocal organicamente comprometido. A disfonia persiste mesmo após o desaparecimento do processo viral ou da cicatrização cirúrgica. A terapia fonoaudiológica pré-cirúrgica pode evitar este tipo de alteração. Sintomas como fadiga vocal e odinofonia podem ser observados. A qualidade vocal pode apresentar soprosidade, aspereza, diplofonia ou fonação ventricular. A sonoridade geralmente é pobre e a laringoscopia pode ser normal, mostrar aproximação de pregas ventriculares, constrição supraglótica ântero-posterior parcial ou ainda fechamento supraglótico esfinctérico.

USO INAPROPRIADO DE REGISTRO
A alteração vocal ocorre em homens durante o crescimento, manifesta-se depois da puberdade como dificuldade em abaixar o pitch e acompanha-se de "quebras" no registro. Pode ocorrer em ambos os sexos, porém não é tão evidente nas mulheres em decorrência do seu tom habitual de fala. Alguns fatores psicológicos podem levar a inibições durante este período de transição e estabelecer um padrão de fonação em falsete. Estes casos devem ser diferenciados daqueles em que existam comprometimentos hormonais ou conversivos. Não há sintomas associados. A qualidade vocal caracteriza-se por pitch anormalmente alto e sonoridade pobre.
A laringoscopia é geralmente normal, mas pode haver tensão glótica. A laringe pode também estar elevada e sua tração para baixo pode mostrar mudança de registro vocal para um pitch mais adequado.

SINDROMES DE ABUSO VOCAL
As alterações vocais decorrentes das síndromes de abuso vocal são geralmente flutuantes ou intermitentes e mantém-se por períodos prolongados. Os aspectos mais comumente observados nestas alterações são: fadiga vocal, redução da extensão dinâmica da voz, odinifonia, padrão respiratório inadequado e sindromes tencionais músculo-esqueléticas. Outros sintomas, como alterações ressonantais e de pitch, também podem ser observados. As síndromes de abuso vocal podem ocorrer com freqüência também em profissionais da voz.
A qualidade vocal dos pacientes portadores de síndrome de abuso vocal mostra características de soprosidade e aspereza, sonoridade pobre, quebras na voz, pitch geralmente agravado e ataque vocal brusco.
A laringoscopia pode ser normal, mas também pode apresentar aproximação de bandas ventriculares, constrição supraglótica ântero-posterior parcial e ainda fechamento supraglótico do tipo esfinctérico.
Outros fatores devem ser observados em profissionais da voz com alterações relacionadas ao abuso ou mau uso vocal. Algumas alterações na voz falada muitas vezes não ocorrem na voz cantada, ou ocorrem em menor grau. Como exemplo, uma boa técnica de canto não implicará em uma voz falada adequada. O apoio respiratório também pode mostrar-se deficiente somente na voz falada. Apesar disso, a extensão vocal não é afetada. A avaliação de profissionais da voz deve ser cuidadosa, levando-se em conta as variáveis entre a voz falada e cantada.
Como alterações orgânicas secundárias temos: nódulos de pregas vocais, edema de reinke e úlceras e granulomas, os quais passaremos a discertar.

NÓDULOS DE PREGAS VOCAIS
São lesões secundárias associadas às alterações funcionais da voz, caracterizando-se por alteração na camada superficial da lâmina própria, representada histologicamente pela presença de tecido edematoso e/ou fibrocolagenoso associado a um espessamento do epitélio das pregas vocais, com queratinização superficial e acantose entre as cristas epidérmicas. Apresentam-se como lesões esbranquiçadas, em torno da borda livre na junção do terço médio de ambas as pregas vocais , que, ao entrarem em contato durante a fonação, assumem a silhueta de um "beijo". Apresenta aspecto endurecido e algumas vezes edematoso, principalmente em crianças. Há um aumento de massa e rigidez da cobertura, assim como interferência na vibração mucosa contralateral. Na maioria dos casos há presença de fenda triangular médio-posterior.
A incidência desta alteração em adultos é maior no sexo feminino e está sempre associada ao abuso vocal e ao estresse. É a disfonia funcional mais comum entre as crianças, predominando no sexo masculino. Em cantores, pode ocorrer secundariamente à execução do canto fora da extensão adequada e por pobre apoio respiratório.
Os sintomas vocais mais comuns são fadiga vocal, alterações de pitch, alterações ressonantais e extensão dinâmica reduzida.
A qualidade vocal mostra características de soprosidade, aspereza, quebra vocal e ataque vocal brusco.

EDEMA DE REINKE
É uma lesão de aspecto edematoso e por vezes polipóide, o que lhe rendeu a denominação de degeneração polipóide, ou ainda, pólipo edematoso de pregas vocais. É geralmente bilateral, porém quase sempre assimétrica. Estende-se ao longo de toda a borda livre das pregas vocais na maioria dos casos. Apresenta crescimento progressivo, podendo obstruir completamente a glote com conseqüente asfixia, em seu estágio mais avançado. Interfere na vibração mucosa contralateral e está freqüentemente associado ao tabagismo crônico e, em menor escala, ao hipotireoidismo e ao refluxo gastroesofágico. A fonoterapia pode reduzir a lesão em alguns casos, ainda que ocorra melhora importante da qualidade vocal nos casos com lesões pouco exuberantes. Entretanto, o encaminhamento posterior para tratamento cirúrgico é necessário.
A disfunção vocal geralmente é estável, de longa duração, e predomina no sexo feminino. Os principais sintomas associados são fadiga vocal, alterações ressonantais e extensão vocal reduzida. A qualidade vocal apresenta características de rouquidão, com pitch agravado, sonoridade pobre e quebras vocais.

ULCERAS E GRANULOMAS
São as únicas lesões orgânicas localizadas fora da borda livre das pregas vocais, decorrentes de distúrbios funcionais da laringe. São associadas a processos inflamatórios extralaríngeos ou secundários à entubação endotraqueal prolongada. Nos casos funcionais, são provocados por trauma fonatório na apófise vocal das aritenóides, em pacientes com importante tensão muscular laríngea e ataque vocal brusco. Geralmente são lesões pequenas que comprometem o fechamento glótico. Quando são de grandes dimensões, outras possibilidades diagnósticas devem ser aventadas.
O estabelecimento da alteração vocal é geralmente agudo(de dias a semanas), às vezes intermitente por meses. Os sintomas mais freqüentes associados são odinofonia e fadiga vocal.
A qualidade vocal manifesta-se sob forma de disfonia variável, com pitch grave e ataque vocal brusco. A laringoscopia mostra ulceração do processo vocal uni ou bilateral, ou granuloma, com hiperfechamento glótico posterior. Outros fatores observados em pacientes portadores de úlceras ou granulomas são apoio respiratório pobre, uso de ar residual, freqüente associação ao refluxo gastroesofágico, hábito de pigarrear e tossir e abuso vocal.

TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA PARA CANTORES
A terapia vocal do cantor não difere completamente do processo terapêutico de um paciente que apresenta disfonia funcional. O foco do tratamento, este sim, será diferente. Com a queixa bem definida em relação aos aspectos da voz falada e cantada, inicia-se a terapia que trabalhará simultaneamente os aspectos que forem necessários, tanto da voz falada quanto da cantada.
Na terapia com cantores, o ouvido adquire importância na condução das orientações, na forma de utilização da voz, assim como na maneira de realização dos exercícios propostos. Quando se trabalha com o cantor, não se deve ficar centrado na patologia laríngea ou no distúrbio da fonação e sim na maneira como o cantor está utilizando seu aparelho vocal para produção da voz dentro do estilo e interpretação desejados.
Pode-se compreender o estilo do canto e tentar, juntamente com o cantor, por meio de exercícios, possibilitar que produza, de maneira satisfatória e sem prejuízo do trato vocal, a voz cantada desejada. O fonoaudiólogo não deve discutir a escolha de repertório, mas esclarecer as possibilidades de cada voz, localizando o pitch confortável e a tessitura adequada para o cantor assim como demonstrar aspectos anatomofisiológicos existentes, mas muitas vezes desconhecidos, que possam facilitar ou limitar a produção de algum tipo de voz cantada.
É necessário possuir algum conhecimento de termos músicais que, em geral, estão presentes na terapia com o cantor, como por exemplo grave, agudo, oitava, glissando, stacatto, escala ascendente ou descendente, acorde e outros que podem aparecer conforme o tipo de canto adotado.
O cantor, em geral, questiona o profissional para saber como se procedem os exercícios e outras duvidas, pois é natural que a pessoa que tem na voz cantada seu instrumento profissional possua uma curiosidade maior em relação a sua voz, bem como receio em ser examinado pelo otorrinolaringologista e ansiedade em tratar as dificuldades que se manifestam na voz.
Aparecem alguns questionamentos por parte do cantor, porém esses são um desafio constante para quem trabalha com a área da voz e tem consciência da influência da vida emocional e psíquica na questão da comunicação.
As questões da saúde vocal devem ser tratadas com paciência e esclarecimento, sem virar uma lista de proibições, pois o ideal é passar informações aos poucos e obter o retorno do cantor sobre a verdadeira compreensão dos porquês sobre sua voz.
Não é fácil estabelecer um limite sobre onde começa a terapia fonoaudiológica do cantor, pois o início de cada processo dependerá de cada indivíduo. Não existe hierarquia dentro da terapia fonoaudiológica. Na voz tudo ocorre ao mesmo tempo. As necessidades são de cada caso e sempre que possível devem ser trabalhadas no conjunto.
No caso dos cantores é fundamental trabalhar a parte respiratória no sentido de conscientizar o papel da respiração na emissão da voz cantada, mostrando preferencialmente a respiração costo-diafragmática, como a mais adequada para a sua voz. O trabalho articulatório visando a abertura vertical e à precisão sonora dos fonemas também tem destaque na rotina terapêutica. Os exercícios que auxiliam no abaixamento da laringe tem demonstrado ótimo resultado, mesmo nos casos de cantores populares, permitindo um movimento vertical livre nos graves e agudos. Exercícios de resistência também são indicados para cantores que costumam cantar muitas horas por semana. Massagem digital na laringe depois de cantar, ou antes de dormir, promove a vasodilatação que possibilitará um maior relaxamento noturno, levando a uma qualidade vocal mais satisfatória para os dias seguintes no uso intensivo da voz.
Não é possível abordar a parte de exercícios, pois cada indivíduo tem seu problema e os exercícios devem ser aplicados de maneira pessoal. O terapeuta tem que experimentar os exercícios consigo mesmo e, posteriormente, observar como cada paciente realiza ou reage diante daquele exercício. De maneira geral, acredita-se que o terapeuta não necessita ser um cantor ou músico para poder prestar atendimento, porém deve ouvir as queixas do paciente e saber que as dúvidas que ocorrerem durante o processo terapêutico poderão ser investigadas e respondidas por ambos, paciente e terapeuta.

CONCLUSÃO
Estivemos analisando alguns os problemas possíveis a serem apresentados na estrutura funcional da laringe e cordas vocais, nos profissionais da voz, em específico com os cantores.
Apresentamos alguns métodos a serem aplicados na avaliação e tratamento de tais problemas, porém tal explanação não esgota o assunto.
Ficou claro porém que, para a eficácia levantamento dos problemas apresentados, bem como o respectivo tratamento, há necessidade de se recorrer ao profissional médico da voz, especificamente ao Otorrinolaringologista e ao Fonoterapeuta para a obtenção de sucesso para a resolução dos distúrbios que possam ocorrer com a voz.
Creio porém que deve haver um relacionamento muito aproximado entre o profissional da voz, o médico da voz e o preparador vocal, pois suas atividades se interagem e, com essa aproximação o resultado pode se tornar mais produtivo, fazendo com que a voz do profissional possa ser melhor elaborada para um bom resultado profissional.
Com este tipo de relacionamento, creio que os cinco profissionais da voz – Otorrinolaringologista, Fonoaudiologista, Professor de Canto, Preparador Vocal e Cantor – poderão crescer em conhecimento e sucesso profissional, onde cada um individualmente alcançará a satisfação pessoal de aplicar o seu trabalho de modo direto, com conhecimento e bem feito.

Referências

Gouveia, Lidia Maria de. A Fonoaudiologia e o Canto
Universidade Cruzeiro do Sul. http://www.geocities.com/Vienna/9177/fonocanto.html

Wokshop Interno de Técnica Vocal - Escola Cristo Rei

Os professores da escola estadual Cristo Rei em Guarapuava começaram o ano cuidando da voz com um workshop interno.

1º. Wokshop Interno de Técnica Vocal - Escola Cristo Rei


Os professores da escola Cristo Rei aproveitaram os dias 3 e 10 de março, duas manhãs de sábado para participarem do 1º Workshop Interno de Técnica Vocal. Muitos exercícios de respiração, relaxamento e ressonância para iniciar o ano cuidando bem da saúde vocal.
Ao tomar conhecimento das técnicas trabalhadas durante as aulas de canto pela professora Daniele Krauz a diretora Guiomara Hofmann incentivou seus professores a promoverem um workshop dentro do colégio. Este evento, com duração de quatro horas, reuniu 14 professores em duas manhãs.
Os professores precisam estar sempre atentos à maneira como usam a voz para não desenvolverem problemas nas pregas vocais. Todos os profissionais que falam bastante precisam fazer vários exercícios ao longo do dia para manterem as pregas vocais e toda musculatura na área do pescoço relaxadas.
Além da saúde vocal os exercícios de técnica vocal auxiliam no relaxamento físico e mental produzindo efeitos em várias áreas do corpo. Os professores que participaram do workshop aprenderam exercícios de relaxamento para serem feitos com freqüência durante o dia e exercícios mais profundos de respiração e alongamento para aumentarem sua energia e qualidade de respiração. Os professores também se divertiram com os exercícios de ressonância e projeção do som.

Todo o trabalho desenvolvido nessas quatro horas de trabalho intensivo precisam ser estendidos até formarem parte das atividades diárias de cada um. Como a quantidade de exercícios para respiração, postura, ressonância, projeção e relaxamento estudadas foram bastante variadas cada pessoa pode escolher os que lhe parecerem mais confortáveis ou efetivos para incorporá-los.



O estudo da técnica vocal

Interdisciplinaridade em arte

Profª. Daniele Krauz

Técnica Vocal

www.essencialensino.com.br

Anatomia da voz

Nesta figura todas as partes da face e as cordas vocais podem ser vistas.
O som é produzido pela passagem de ar que vem dos pulmões pelas cordas vocais. A cavidade nasal e sinos funcionam como caixas de ressonância para o som. Na boca a língua e a posição dos lábios também influenciam na qualidade do som emitido.



O estudo da técnica vocal

por professora Daniele Krauz, 03/03/2007.

O estudo de canto não é apenas essencial para quem queira ser profissional em canto.

Cantar faz um grande trabalho no aparelho respiratório o que faz com que o cérebro receba mais oxigênio e trabalhe melhor. Da mesma forma, respirar corretamente diminui os problemas respiratórios e do aparelho vocal. Acima de tudo o trabalho com o canto funciona como uma ótima terapia de relaxamento e concentração envolvendo o cantor emocional e espiritualmente.
Mesmo que não se dê ênfase ao estudo da música e do desenvolvimento de habilidade específica para o canto todas as outras atividades desenvolvidas durante as aulas trazem grandes benefícios para a saúde física e mental, prevenindo problemas com excesso de esforço vocal e problemas respiratórios, de postura e stress.

As aulas de canto envolvem:

  • Postura
  • Relaxamento
  • Tipos respiratórios
  • Coordenação respiração-fala-canto
  • Ressonância
  • Articulação
  • Ritmo

Os exercícios para canto são de grande auxílio como:

  • Terapia de relaxamento
  • Oxigenação cerebral
  • Controle vocal e respiratório
  • Aumento da capacidade respiratória
  • Prevenção e auxílio em tratamentos respiratórios

As técnicas estudadas dentro deste curso envolvem exercícios de:

  • Yoga e outras técnicas orientais
  • Fonoaudiologia
  • Anatomia
  • Canto popular e lírico

Profissionais e sua voz

A voz não é instrumento de trabalho apenas dos músicos, várias profissões usam a voz como principal método de contato e produção em seu meio profissional.
Dos profissionais que usam a voz como sua principal ferramenta de trabalho podemos ressaltar os seguintes:
  • Professores
  • Vendedores
  • Telefonistas
  • Operadores de tele marketing
  • Profissionais de TV e rádio

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