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sábado, 17 de outubro de 2009

A Viola

Fonte: http://www.violatropeira.com.br/origem.htm

A viola é um instrumento bem menor que o violão, com a cintura mais acentuada, e encordoado de maneira diferente. Ela possui dez cordas, agrupadas duas a duas, sendo algumas de aço e outras, revestidas de metal. A disposição das cordas, começando de baixo para cima é: os dois primeiros pares afinados em uníssono; e os demais, afinados em oitavas. Os nomes dados as cordas são de origem portuguesa, existindo, no entanto, muita contradição nas informações prestadas pelos violeiros, ou seja, a mesma corda recebendo vários nomes diferentes. Alguns violeiros concordam em geral com os seguintes nomes: prima e contra Prima ou primas - requinta e contra-requinta ou segundas - turina e contra-turina - toeira e contra-toeira - canotilho e contra-canotilho. Para o terceiro par encontramos ainda o nome verdegal, quando é usada linha de pesca no lugar da corda de aço. As violas, geralmente, são feitas artesanalmente, e o tempo mínimo para se fazer uma viola é de dez dias. 0 conhecido artesão Zé Côco do Riachão, um dos raros "fabricadores" de violas e rabecas, utiliza uma cola feita de banana do mato, também conhecida por sumaré. No tampo, ele usa a madeira emburana de espinho; o braço é feito de cedro; o espelho, cravelhas e ornamentos de caviúna (candeia); e a lateral feita de pinho. Entretanto, na maioria das violas encontradas, a madeira utilizada para o tampo, foi o pinho que, de acordo com os violeiros, é a de melhor sonoridade. 0 violeiro costuma dar à viola, os mais variados nomes, assim temos a viola caipira, a viola cabocla, a viola sertaneja, a viola de pinho, a viola de dez cordas, todas se referindo ao mesmo instrumento. A viola com dez trastes é denominada também de meia-regra, e a com trastes até na boca, de regra-inteira. No litoral paulista, foram encontradas, violas com sete cordas, (dois pares e três singelas), nove cordas (quatro pares e uma singela), e dez cordas (cinco pares), todas mantendo as cinco ordens de cordas. É interessante observar que, numa das afinações da viola de sete cordas, o quinto par foi afinado em intervalo de quinta, e o quarto, em uníssono.

Pesquisa feita por Kilza Stti, no início dos anos sessenta no litoral norte do Estado de São Paulo.

Confira também este trabalho bastante interessante:


Este trabalho, de autoria do Professor Alceu Maynard de Araújo, foi publicado em artigos, na Revista Sertaneja de números 4, 5, 6, 7, 8, 9, 13 e 14, de julho de 1958 a maio de de 1959. Por sua importância para a divulgação deste instrumento tão valioso para a cultura sertaneja, este artigo está sendo transcrito na íntegra, inclusive as fotos. Estas estão com baixa qualidade devido a deterioração do papel, devido a idade do mesmo (45 anos). Ao final do trabalho, veja uma pequena biografia do Prof. Alceu. Na íntegra: http://www.widesoft.com.br/users/pcastro4/viola


Viola de Cocho

A palavra cocho é empregada pelo homem do campo, referindo-se a uma tora de madeira escavada, formando uma espécie de recipiente. A viola de cocho, encontrada no estado de Mato Grosso, recebe este nome, porque é confeccionada em um tronco de madeira inteiriço, esculpido no formato de uma viola, e escavado na parte que corresponderia à caixa de ressonância. Neste cocho, no formato de viola é afixado um tampo, e em seguida, as partes que caracterizam o instrumento, como o cavalete, o espelho, o rastilho e as cravelhas. 0 seu comprimento é em torno de 70 cm por 25 cm, com 10 cm de largura. Algumas violas possuem um pequeno furo circular no tampo, medindo de 0,5 a 1 cm de diâmetro, outras não apresentam furo. A viola sem furo no tampo é coisa recente, os violeiros antigos a preferem com o furo, pois no dizer de um destes violeiros, "o furo é prá voz ficá mais sorta, sem o furo a zoada fica presa". 0 braço da viola, juntamente com a paieta (cravelha), é bem reduzido, medindo em torno de 25 cm. O cocho é de muita utilidade no campo, e se presta, principalmente, à alimentar os animais domésticos.
A paieta, geralmente, faz um ângulo bem acentuado com o corpo do instrumento, e possui cinco ou seis furos. Este instrumento apresenta sempre cinco ordens de cor das, com as cinco cordas singelas, ou com quatro singelas mais um par. Neste caso, a terceira ordem consistiria de um par de cordas afinado em oitava. Também é encontrada viola com seis furos na paieta, mas com apenas cinco cravelhas. As madeiras utilizadas na sua construção são várias: para o corpo do instrumento as preferidas são, a Ximbuva e o Sarã; para o tampo, Figueira branca, e para as demais peças, o Cedro. A maioria das violas de cocho se armam com cinco cordas singelas, quatro de tripa e uma de aço. Atualmente as cordas de tripa estão sendo substituídas por linhas de pesca, devido a proibição de caça na região. Estas, de acordo com os violeiros, são bem inferiores às de tripa. A corda de aço tem o nome de "canotio", e tem, aproximadamente, o mesmo calibre da quarta corda do violão. Os nomes das cordas são os seguintes: prima, segunda ou contra, do meio ou terceira, canotio e corda de cima. A preparação da tripa, para a confecção das cordas, é muito rudimentar, para explicar o procedimento adotado, transcrevemos, abaixo, os depoimentos de alguns violeiros, quando indagados sobre esse assunto. - "Ah! isto é fácil, o sinhô mata o animá, tira a tripa, e limpa bem por fora, vira ela e limpa bem por dentro, bem limpadinho. 0 sinhô marra um fio dum lado e dôtro e troce bem trucido. Estira o fio duma árvore a otra, põe um pesinho e pronto. Ele vai estirano... estirano, vai secano. Ah! fica que... uma beieza!!!" -- Sr. Gregório José da Silva, 74 anos, cururueiro - Poconé-MT, em 1983. - "Tira toda a tripa do Ouriço e começa a limpá com a unha, tira a carne de cima ficano a pura tripa. Depois vira ela, prá limpá por dentro e sair o limbo. Quando sai o limbo fica bem alvinho!, troce a tripa bem trucida e estira ela. Deixa secá e pronto.
Aqui é muito difícil prá gente ter a corda, no sítio tem muita!" -W- Sr. Edézio Paz Rodrigues, 81 anos, cururueiro - Poconé-MT, em 1953. "A tripa é o seguinte: Ocê pega a tripa e tira todo o ligume, toda massa, depois de tirar toda massa, tem que rapá a carne que tem por dentro. Por cima é uma pele muita fina... vira do avesso e vai rapano com muita ciência, quase não é passado unha, só com a força do dedo. Ocê faz uma cumbuquinha de foiha, coloca a tripa dentro e urina dentro, deixando passá uma meia hora, uma hora, na urina, prá curtí, prá dá mais resistência. Então agora vai levá num lugar de ispichá e, de acordo, com a grossura que ocê quer a corda, ocê vai botá peso, uma pedrinha marrada num fio bem no meio dele. Se quer que ela fica mais grossa, tem que botá peso menos, quer que ela fique mais fina, tem que botá peso maió... tem que torcê que fica turcidinha. 0 Ouriço dá doze cabeça de corda, dá prá encordoá uma viola, inda sobra..." - Sr. Manoel Severino de Moraes, 54 anos, artesão de viola de cocho e cururueiro - Cuiabá-MT, em 1981. São vários os animais, cujas tripas são empregadas na confecção de cordas, os preferidos são: 0 Ouriço-Cacheiro (Porco-Espinhol, o Bugil (espécie de macaco), a Irara, o Macaco-Prego e Porca magra. A tripa de gato, apesar de dar uma boa corda, não é usada, porque, numa roda de cururu, se alguma viola estiver encordoada com cordas de tripa de gato, em pouco tempo começa a surgir brigas entre os violeiros. A tripa de gado não é usada porque é pouco resistente, "não guenta um toque". A do Macaco-Prego é muito usada, mas somente na época em que ele não está comendo formigas. Os violeiros afirmam que suas tripas ficam cheias de nós, provenientes das picadas destas, quando engolidas vivas. A viola de cocho é um instrumento bem primitivo, o número de pontos, ou trastos, varia entre dois a três. Quando a viola possui três pontos, o intervalo entre eles é de semitom, quando possui dois pontos, o primeiro dá o intervalo de um tom, e o segundo de semitom. Os pontos são feitos de barbante, amarrados bem firmes, e revestidos com cera de abelha, para que prendam melhor na madeira, no dizer do violeiro "prá garrá, prá firmá, senão ele joga... tano seco ele joga". A colagem das partes é feita usando o sumo da batata de sumaré (planta de região úmida), ou, na fala desta, um grude feito da "paca" da piranha, uma pequena tripa, também conhecida por bexiga natatória. A viola de cocho é usada, principalmente, para o cururú e o siriri, funções bem populares em Mato Grosso, mas também é usada para o rasqueado. Ela possui duas afinações básicas, a afinação "canotio solto" e a afinação "canotio preso", sendo muito semelhantes entre si.
Os acordes mais usados são os de Tônica e Dominante com sétima e raramente o de Sub-Dominante. No siriri, onde a Sub-Dominante é mais usada, a afinação empregada é a de "canotio preso", para que esse acorde seja armado com apenas dois dedos. O interessante é que essa mesma armação é muitas vezes usada com a afinação "canotio solto".
          As informações deste capítulo foram colhidas por E. Travasso e o autor, em pesquisa do instituto Nacional do Folclore, FUNARTE, em Mato Grosso.
Fonte: http://www.violatropeira.com.br/origem.htm





Origens e estilos da música sertaneja

Para ler o texto na integra acesse: http://www.violatropeira.com.br/origem.htm
 

Caipira é uma denominação tipicamente paulista. Nascida da primeira miscigenação entre o branco e o índio. "Kaai 'pira" na língua indígena significa, o que vive afastado, ("Kaa"-mato) ("Pir" corta mata) e ("pira"- peixe). (..) Com o avanço dos brancos em direção ao Mato Grosso e Paraná a cultura caipira foi junto, levada principalmente pelos tropeiros. (...)A música rural, criativa , contrapõe-se aos modismos vindos do exterior. Ainda é uma forma resistente de brasilidade, feita por um do povo que conhece muito o chão do nosso país. Hoje estão querendo fazer uma fusão cultural, a do "caipira" com o "country" americano. O que se vê, é gente fantasiada de "cowboy", mas que não sabe sequer em qual fase da lua estamos...

(...) as primeiras gravações de modas de viola e de outros gêneros caipiras por violeiros-cantadores do interior paulista, em 1929  na série de discos produzida por Cornélio Pires para a Columbia. Na década de 30, vieram os sucessos de João Pacífico e Raul Torres, de Alvarenga e Ranchinho. Já Tonico e Tinoco pontificaram a partir dos anos 40. Em 50 as guarânias de Cascatinha e Inhana e as rancheiras mexicanas de Pedro Bento e Zé da Estrada. Entre 60 e 70, o aparecimento de Sérgio Reis e Renato Teixeira  o primeiro saído da Jovem Guarda, o outro dos festivais da TV Record  agitou o mundo sertanejo. Exatamente em 1960 um genial violeiro do norte de Minas, Tião Carreiro, inventava o pagode caipira, mistura de samba, coco e calango de roda( ...)Nos anos 80 surgiram a dupla mineira Pena Branca e Xavantinho, adequando sucessos da MPB à linguagem das violas, e Almir Sater, violeiro sofisticado, que passeava entre as modas de viola e os blues. A guinada para a country music, com a adoção de instrumentos eletrificados e a formação de grandes bandas deu-se a partir do mega-sucesso de Chitãozinho e Xororó, em 1982. A eles, seguiram-se outras duplas de sucesso, cada vez mais direcionadas para o romatismo pop herdado da jovem guarda, como Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano.
Os anos 90 marcaram a convivência de dois segmentos musicais originários dos gêneros rurais: o dos mencionados sertanejos-pop, voltado para grandes mercados internacionais, e o dos novos-caipiras - músicos saídos das universidades, dispostos a retrabalhar a música "raiz". (...) Entre os nomes mais expressivos dessa nova geração de instrumentistas-compositores estão os mineiros Roberto Corrêa, Ivan Vilela, Pereira da Viola e Chico Lobo, e o paulista Miltinho Edilberto.
  (Donadio)

Os ritmos caipiras (Donadio)

Muitos são os ritmos executados na viola, da valsa ao cateretê. Temos Cateretê baião; Chula polca; Toada de reis: Cateretê- batuque, Landú, Toada; Pagode. À medida que o país se urbanizou e precisou da mão de obra barata do povo do interior, levas de artistas caipiras e nordestinos também chegaram a São Paulo e ao Rio de Janeiro para disputar seus palcos e estúdios. Assim, emboladas e cocos se misturaram a maxixes, guarânias, rasqueados, chamamés, boleros, baladas e rancheiras  e a tudo o que se ouvia no rádio nos anos 50 e nas fronteiras do país. Todas essas matrizes sonoras formaram, com os gêneros caipiras tradicionais, o que passou a ser sacralizado, na terminologia do mercado fonográfico, como música "sertaneja". Mais sons entrariam nesse caldeirão: a partir dos anos 60, o rock e a MPB dos festivais, e, nos 80, a country music americana.
Cateretê/ catira: inicialmente uma dança religiosa indígena, na qual os Índios batiam palmas, seguindo o ritmo da batida dos pés, deu origem à "catira". Com solos de viola e coro, acompanhados de sapateado e palmeado, ele começa com uma moda de viola, entremeada por solos, e evolui para uma coreografia simples, mas bastante rítmica. O catira é o coração de festas populares como as Folias de Reis e as de São Gonçalo. Entre grandes catireiros estão  VIEIRA E VIEIRINHA chamados merecidamente de os reis da catira, Tonico e Tinoco de São Manuel SP (o primeiro, morto em 1994), que registraram incontáveis sucessos nos anos 40 e 50. Atualmente, entre os novos-caipiras, o mineiro Chico Lobo é violeiro-cantador que domina essa velha arte.
Cururu: nasceu, pois, dos cantos religiosos marcados por batidas de pé. Das festas ao redor dos oratórios ganhou os terreiros, nos acontecimentos sociais das fazendas e vilas. Nos anos 30, Mário de Andrade viajou pelo interior paulista, nas suas pesquisas, e observou que no médio-Tietê cururu era desafio improvisado, uma espécie de "combate poético" entre violeiros-cantadores, iniciado com saudações aos santos. Dessa forma ele ainda resiste em cidades como Piracicaba, Sorocaba, Tietê, Conchas e Itapetininga  a chamada região cururueira do estado.
Fandango: nasceu como dança vigorosa de tropeiros que o aprenderam no extremo sul do país, com seus colegas uruguaios. Sofreu modificações nas diversas regiões aonde chegou e ainda é cultivado em alguns núcleos por todo o país, como no litoral paranaense.
Calango: Resultante da mistura da música dos brancos da roça com a dos negros escravos, firmou-se especialmente no Rio de Janeiro rural e em Minas Gerais. Martinho da Vila, fluminense de Duas Barras, compôs e gravou alguns bons calangos, puxados na viola e com instrumentos percussivos.
Moda de viola: Entre tantos ritmos e estilos formados a partir das toadas, cantigas, viras, canas-verdes, valsinhas e modinhas, trazidos pelos europeus, a moda de viola se transformou na melhor expressão da música caipira. Com uma estrutura que permite solos de viola e longos versos intercalados por refrões, com letras quilométricas contando fatos históricos e acontecimentos marcantes da vida das comunidades, ela ganhou vida independente do catira.

Obras Citadas

Donadio, V. C. (s.d.). A Origem Caipira. Acesso em 17 de Outubro de 2009, disponível em Viola: http://www.violatropeira.com.br/origem.htm



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